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L’amministratore

 

L’amministratore mi svegliava inatteso, prima del viaggio, fino a farmi
affondare

È stato così che li ho visti annidarsi orribili in gruppi sociali,
negli angoli dei muri, marroni che quasi volavano come uccelli di
Hitchcock, poltiglia schiacciata nei buchi in cucina, tra i sacchetti e
i rifiuti.

È stato così che ho visto le unghie dei piedi ritorte, le unghie
cerchiate di nero e gialle di fumo, le sedie spalmate di schifo, impiastrato
per terra, le cicche, le scarpe e i vestiti a mucchi sul letto, sulle
lenzuola fradice.

Attorno i vicini storpi che annusano, sul portone il camion rosso dei
pompieri e le tue povere urla sulle scale, mentre ti portano via
seduta,
piccolo corpo dal viso stravolto, depresso, che ogni tanto riesce a
abbassarsi dolce per dirmi: «Mi ricordo di lui,
così maschio e gentile,
mi ricordo di te, che volavi al laghetto e alzavi le braccia, uccellino
felice di vivere.
Io ti chiedo perdono, ma è andata così».

 

Maurizio Cucchi, Per un secondo o un secolo, Milano, Arnoldo Mondadori Editore, 2023.

 

 

O síndico vinha me despertar, de surpresa, antes da viagem, até me fazer
afundar.

Foi assim que os vi aninharem-se, horríveis, em bandos,
nas quinas das paredes, marrons que quase voavam como os pássaros de
Hitchcock; gosma esmagada nos buracos da cozinha, entre saquinhos e
lixo.

Foi assim que vi as unhas dos pés retorcidas, unhas
escurecidas e amareladas de fumo; as cadeiras besuntadas da imundície, lambuzada
no chão; as bitucas, os sapatos e as roupas empilhados sobre a cama, sobre
lençóis encharcados.

Ao redor, os vizinhos maltrapilhos farejando; no portão, o caminhão vermelho dos
bombeiros; e os teus pobres gritos na escada, enquanto te levam embora,
sentada,
pequeno corpo de rosto transtornado, deprimido, que às vezes ainda consegue
inclinar-se com doçura para me dizer: “Lembro-me dele,
tão másculo e gentil;
lembro-me de ti, que voavas sobre o laguinho e erguias os braços, passarinho
feliz por viver.
Eu te peço perdão, mas foi assim que aconteceu”.

 

é professor, escritor e tradutor literário. Com formação nas áreas de Relações Internacionais e Letras, já publicou contos e poemas em diversas antologias nacionais, explorando temas como identidade, memória, desigualdade social e mitologias. Participou de coletâneas dedicadas ao terror psicológico, à ficção especulativa e à poesia contemporânea. Tem experiência em tradução de textos do inglês, espanhol e italiano para o português, priorizando a recriação estética e semântica. Recentemente venceu o Prêmio Lila Ripoll de Poesia. Atualmente trabalha na edição de seu primeiro livro solo, enquanto seu segundo projeto concorre na categoria Fantasia ao prêmio Livros do Futuro, promovido pelo TikTok com apoio de importantes editoras do setor.

Número #08
1. The Lovers: The Great Wall (1988) – O Vídeo, o Tempo e a Performatividade na Performance
2. Escombros: esperança e reconstrução
3. Mirrors – Fracionamentos de uma Ficção
4. Diagramas circulares de arte combinatória (2022-2024)
5. Undoing Medusa
6. II Edição do M’illumino d’immenso – Prêmio Internacional de Tradução de Poesia do Italiano para o Português
7. L’amministratore
8. Quartine 92-99
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